Polícia encontra provas do Enade sem lacre em caminhonete no Rio
DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
Agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) disseram ter encontrado nesta terça-feira, por volta das 16h, 52 caixas com provas sem lacre de segurança do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), em Três Rios, na região sul fluminense. O MEC (Ministério da Educação), porém, nega a informação. A prova está prevista para ser aplicada no dia 8 de novembro.
"O que mais me surpreendeu foi que as provas não estavam embaladas. Elas estavam guardadas em caixas parecidas com as de sapatos. Qualquer um poderia abrir e ver o exame completo do Enade, que incluía cadernos de áreas de Direito, Comunicação e outras. Quem quisesse poderia até pegar algumas para vender", afirmou à Folha Online Renê Nunes, agente da PRF que parou o veículo suspeito.
De acordo com o policial, as caixas eram transportadas de São Paulo para Muriaé, em Minas, pela BR-393, em condições precárias, na cobertura de uma caminhonete Ford Ranger.
Ele ainda disse que o motorista e o passageiro do veículo não apresentaram um documento adequado para o transporte do material. "A nota fiscal não conferiu com o conteúdo nas caixas. No documento apresentado dizia apenas que se tratava de fichas de respostas", disse Nunes.
Recentemente, a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) teve de ser suspensa e o exame adiado para dezembro após o conteúdo das questões vazar.
O policial afirmou ainda que o Ministério Público Federal de Petrópolis (RJ) pediu que o material fosse fotografado e catalogado, para verificação junto ao MEC. "Estamos com todas as provas nas mãos", completou.
Outro lado
O MEC informou, em nota, que os dois homens que faziam o transporte das provas são funcionários contratados pelo consórcio Consulplan (empresa responsável pela aplicação do Enade).
Além disso, disse que apenas 32 caixas estavam no veículo --sendo quatro com a prova ampliada-- e todas lacradas, além de outras 28 caixas de folhas de respostas, também lacradas.
"Foram abertas pelos policiais para confirmação do conteúdo. Tão logo esclarecida a ocorrência, as caixas foram novamente lacradas e dirigidas ao seu destino", afirmou.
De acordo com a pasta, o consórcio Consulplan, contratado pelo INEP (órgão ligado ao MEC), informou ainda que os funcionários que estavam na caminhonete eram credenciados para transportar o material.
Ainda segundo o MEC, as provas transportadas eram específicas para pessoas com deficiência, e estavam sendo deslocadas para receberem o empacotamento final. Ao contrário do que a PRF informou, a assessoria do ministério disse que o veículo foi parado na rodovia BR-116. O Ministério, porém, não passou informações sobre as notas fiscais.
[Fonte: Folha Online]